05/04/2015

Esses amores modernos.

Aquela chuveirada pós-coito. Eu sabia que enquanto a água gelada encharcava meu cabelo, ele estava na cama, meio ofendido, se perguntando se devia levantar e ir embora. Mas era mais que um hábito, era um ritual. Como algumas pessoas gostavam de acender um cigarro depois de uma trepada, eu gostava de entrar no banho. Tirar o suor dele de mim, ou ele esperava que eu ficasse com a porra dele escorrendo pelas pernas por mais alguns minutinhos só pra fortalecer seu ego abalado?
Eu gostava da água fria saindo dos canos, caindo sobre minha cabeça, me limpando enquanto seguia seu caminho até meus pés e depois, adeus, pelo ralo.
Quando saí do banheiro, toalha embolada no topo da cabeça, nua, ele já estava calçando os sapatos. De forma deliberadamente lenta. Ele não queria sair de fininho, mas queria fingir que queria. Queria fingir que saí do banho bem na hora de o flagrar, e não que eu soubesse que ele esperou até a água parar de correr pelos canos antes de começar a amarrar o outro pé.
"Você podia ficar" não minto. Seria bom ter um pouco de calor durante a noite, alguém com quem me enrolar na madrugada. E ele era peculiarmente quente. Sua temperatura corporal sempre parecendo 1 ou 2 graus acima do normal. Uma febre constante. Um contraste delicioso após o banho frio.
Mas ele apenas calça o outro pé de sapato e me olha deitada na cama, mas não se deita comigo. Levanta e atravessa a porta e eu não sei para onde ele vai.