24/01/2015

Pseudo-versos desconexos sobre um outono holandês qualquer.

I
Eu te encontrei por acaso em um outono em Groningen.
Você dizia coisas bonitas sobre como o fato do ser humano amar borboletas e desprezar lagartas dizia muito sobre a humanidade (coisa que eu só vim a entender alguns anos mais tarde, depois de umas porradas da vida).

II
Eu me apaixonei pela maneira que você me deu carona - na garupa da sua bicicleta roubada - até a beira de um canal, e nós jogamos conversa fora até o anoitecer e você me falou sobre constelações que eu não conhecia.
A maioria dos caras preferia uma refeição cara e e um motel barato.

III
Eu nunca tinha pago a fiança de ninguém antes de te conhecer. E nunca paguei de ninguém depois de você.
Acho que isso é um bom sinal.

IV
Ainda tenho aqueles poemas guardados em uma caixa. Às vezes os abro, mas não os leio, só para me certificar de que a escrita à lápis não está se apagando com o tempo, junto dessas lembranças todas.