27/09/2013

o fim de novembro.

Eu sonho, e de quebra me decepciono, mas isso não me importuna mais. Tive mais de 20 anos convivendo na minha mente e seu emaranhado de esperanças e frustrações, tempo suficiente pra me acostumar a isso. Mas você, você não. Você vive meus sonhos com intensidade maior que a minha, e pisa no acelerador querendo logo chegar na linha de chegada, sem saber que meus dedos tendem sempre ao freio de mão. Você acredita nas minhas utopias e isso não me parece justo, pois mesmo que você descubra uma forma de chegar lá, eu vou estar olhando pro caminho tortuoso e me convencer de que não, não é possível. Já você e sua inocência transformariam o caminho mais tortuoso e cheio de espinhos em uma estrada coberta de pétalas de rosas. Que inveja que tenho da sua mente, que torna possível o impossível, e encontra atalhos em rotas desconhecidas. Enquanto eu moldo o possível de forma que se torne improvável, e tomo sempre a rota mais longa pra ter a desculpa de me perder. Você vai à frente, meu amor, você vai ao infinito, vai à lua e volta, e eu sou a âncora enferrujada, pesada, que não vai te deixar sair do lugar. Não é justo que eu seja uma gaiola enquanto tu és pássaro. Você pode até se acostumar com o cativeiro, mas tua alma é livre e sempre vai querer voar. Não vou tolir tua mente, cortar tuas velas, sabotar o teu destino. Se estou indo embora, é pra preservar tua inocência, tua ingenuidade, tudo que você tem de melhor. Então não chore meu amor, não sinta raiva, não lamente, apenas não tire o pé do acelerador e deixe as duas mãos no volante. É só o que te peço, não deixar nunca que esse teu espírito do tamanho do mundo seja enjaulado. Não há jaula grande o suficiente pra ele. E se minha ausência te doer, saiba que quando chegar à lua, estará longe demais pra sentir saudades.